Capítulo 11 de 41
De Forquilhinha a Rio do Campo
Carlos Kühlkamp morava no município de Criciúma, também no sul do Estado de Santa Catarina, numa pequena localidade chamada Forquilhinha, que até hoje, transformada em município, conserva o mesmo nome.
Carlos era agricultor.
Quando os filhos mais velhos alcançaram a maioridade, saiu à procura de terra para eles. Foi assim que chegou a Rio Wildi, Ribeirão Grande.
Por coincidência, reencontrou ali, Germano Haverroth, um conterrâneo, da localidade de Vargem do Cedro, amigo de infância e juventude. Comemoraram com muita alegria o encontro, uma vez que haviam se separado desde que haviam casado e tinham ido residir em localidades diferentes.
Carlos comprou lotes de terra em Rio Wildi, para os filhos Gregório, Lino e Paulo. Um dos terrenos ele comprou de Felipe Haverroth, o qual, na ocasião, se mudou dali para Rio Waldrich.
O primeiro da família Kühlkamp que veio para esta região foi Gregório. Pouco tempo após sua chegada, casou-se com Verônica Haverroth e ficaram morando em Rio Wildi, no terreno de Paulo. Logo em seguida negociaram o seu terreno de Rio Wildi e mudaram para Rio Waldrich.
Lino veio depois que Gregório já era casado e ficou morando com ele. Tinha uma namorada lá em sua terra natal, mas como ficava muito longe e não podia visitá-la, arrumou outra aqui, Elizabeth Stüpp, e casou-se com ela. Foi então morar no terreno que o pai dele havia comprado para ele, em Rio Wildi.
Sabendo do que acontecera com Lino que não voltou para buscar a namorada, segundo o que se comentava, a futura sogra de Paulo não deixou que ele viesse solteiro. Assim sendo, Paulo só veio depois de casado e trouxe consigo a esposa Lúcia Hoepers. Estes fizeram a viagem de ônibus. Como Gregório já havia construído uma casinha no terreno de Paulo e depois se mudara para Rio Waldrich, quando Paulo e Lúcia chegaram encontraram já uma casa pronta para morar em seu terreno. Ali residiram até o início da década de 60, quando mudaram para o Paraná.
Em fevereiro de 1943, vieram Gabriel Kühlkamp e João Berlanda, em companhia de Oscar e Helena Preis que já residiam em Rio Waldrich e tinham ido até o sul visitar os parentes e amigos.
Conforme contava Gabriel (meu pai), viajaram uma semana inteira, a cavalo. Num cargueiro ele trouxe a mudança, que consistia em algumas ferramentas, roupas de vestir, um colchão de pano para encher de palhas, uma coberta de penas, um travesseiro, lençol e fronha, a capa de chuva, um “quersac” (saco de pano fechado nas duas extremidades e aberto no meio, que usavam para colocar sobre o cavalo, para carregar mercadorias), pão e lingüiça para a viagem. Trouxe também uma bola de futebol e no bolso um conto de réis que o pai dele lhe deu como sua parte de herança, para comprar terra.
Viajavam durante o dia e à noite faziam pousadas em ranchos de boiadeiros ou de famílias. Lá pelas tantas, a linguiça acabou e o pão mofou. Em casa de agricultores onde se hospedaram, receberam alimentação e pão fresco para levar ao prosseguir a viagem.
Aqui chegando, Gabriel foi morar em Rio Waldrich com o irmão Gregório e João Berlanda foi morar com Oscar Preis que era tio dele.

nos dias atuais a distância pode ser percorrida em 6 horas.